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LÍNGUA PORTUGUESA - UFMG (2001)

16) INSTRUÇÃO: As questões de 16 a 18 devem ser respondidas com base no Texto 1. Leia atentamente todo o texto, antes de responder a elas.

TEXTO 1

O idioma, vivo ou morto?

O grande problema da língua pátria é que ela é viva e se renova a cada dia. Problema não para a própria língua, mas para os puristas, aqueles que fiscalizam o uso e o desuso do idioma. Quando Chico Buarque de Hollanda criou na letra de "Pedro Pedreiro" o neologismo "penseiro", teve gente que chiou. Afinal, que palavra é essa? Não demorou muito, o Aurélio definiu a nova palavra no seu dicionário. Isso mostra o vigor da língua portuguesa. Nas próximas edições dos melhores dicionários, não duvidem: provavelmente virá pelo menos uma definição para a expressão "segura o tcham". Enfim, as gírias e expressões populares, por mais erradas ou absurdas que possam parecer, ajudam a manter a atualidade dos idiomas que se prezam.
O papel de renovar e atualizar a língua cabe muito mais aos poetas e ao povo do que propriamente aos gramáticos e dicionaristas de plantão. Nesse sentido, é no mínimo um absurdo ficar patrulhando os criadores. Claro que os erros devem ser denunciados. Mas há uma diferença entre o "erro" propriamente dito e a renovação. O poeta é, portanto, aquele que provoca as grandes mudanças na língua.
Pena que o Brasil seja um país de analfabetos. E deve-se entender como tal não apenas aqueles 60 milhões de "desletrados" que o censo identifica, mas também aqueles que, mesmo sabendo o abecedário, raramente fazem uso desse conhecimento. Por isso, é comum ver nas placas a expressão "vende-se à praso", em vez de "vende-se a prazo"; ou "meio-dia e meio", em vez de _ como é mesmo?
O português de Portugal nunca será como o nosso. No Brasil, o idioma foi enriquecido por expressões de origem indígena e pelas contribuições dos negros, europeus e orientais que para cá vieram. Mesmo que documentalmente se utilize a mesma língua, no dia-a-dia o idioma falado aqui nunca será completamente igual ao que se fala em Angola ou Macau, por exemplo.
Voltando à questão inicial, não é só o cidadão comum que atenta contra a língua pátria. Os intelectuais também o fazem, por querer ou por mera ignorância. E também nós outros, jornalistas, afinal, herrar é umano, ops, errare humanum est. Ou será oeste?
SANTOS, Jorge Fernando dos. Estado de Minas, Belo Horizonte, 10 jun. 1996.
(Texto adaptado)

Em todas as seguintes passagens, o autor deixa transparecer idéias que ele mesmo considera puristas, EXCETO em


a)Claro que os erros devem ser denunciados. Mas há uma diferença entre o "erro" propriamente dito e a renovação.
b)... não é só o cidadão comum que atenta contra a língua pátria.
c)Nesse sentido, é no mínimo um absurdo ficar patrulhando os criadores.
d)Pena que o Brasil seja um país de analfabetos. [...] Por isso, é comum ver nas placas a expressão "vende-se à praso"...
Resposta


17) Assinale a alternativa em que o autor, ao defender o dinamismo da língua, incorre em uma contradição.


a)Não demorou muito, o Aurélio definiu a nova palavra no seu dicionário.
b)Enfim, as gírias e expressões populares [...] ajudam a manter a atualidade dos idiomas...
c)O papel de renovar e atualizar a língua cabe muito mais aos poetas e ao povo...
d)O poeta é, portanto, aquele que provoca as grandes mudanças na língua.
Resposta


18) Assinale a alternativa em que o trecho destacado apresenta uma forma que é consagrada na oralidade e que não é aceita pelas regras da norma escrita culta.


a)E deve-se entender como tal não apenas aqueles 60 milhões de "desletrados" que o censo identifica...
b)E também nós outros, jornalistas, afinal, herrar é umano, ops, errare humanum est.
c)No Brasil, o idioma foi enriquecido [...] pelas contribuições dos negros, europeus e orientais que para cá vieram.
d)Quando Chico Buarque de Hollanda criou [...] o neologismo "penseiro", teve gente que chiou.
Resposta


19) INSTRUÇÃO: As questões de 19 a 21 devem ser respondidas com base no Texto 2. Leia atentamente todo o texto, antes de responder a elas.

TEXTO 2

Errar é divino


     Pode um escritor, em nome de sua arte, contrariar as regras da gramática?
     Essa é uma das principais questões levantadas pelo poeta português Fernando
     Pessoa em A Língua Portuguesa.
     A língua existe para servir o indivíduo, e não para escravizá-lo, pensa o
05   poeta. Sendo uma aventura intelectual, o ato de grafar não deveria submeter-
     se à vontade unificadora do Estado, assim como uma pessoa jamais deveria
     aceitar a imposição de uma religião que seu espírito recusasse. Esse tipo de
     postura gerou um impasse. De um lado, ficam os gramáticos, impondo normas.
     De outro, os artistas, clamando por liberdade.
10   A resposta à questão inicial é simples. Os artistas da língua não passam
     para a posteridade porque rompem com a norma, mas porque sabem tirar
     proveito da ruptura. A transgressão, para ser bem-sucedida, deve possuir
     função estrutural. Tanto no texto como no comportamento. Ela pode dar
     impressão de firmeza, de precisão, de ambigüidade, de ironia ou sugerir diversas
15   coisas ao mesmo tempo. Na maioria dos casos, indica novas propostas para o
     futuro.
     Pela perspectiva dos artistas, os gramáticos não passam de meros
     guardiães de uma inutilidade consagrada pelo poder constituído. Para eles,
     dominar a norma culta do idioma não excede, em valor, o conhecimento do
20   código de trânsito, por natureza convencional e efêmero: num dia, certa rua dá
     mão; no outro, não dá; e, na próxima semana, pode ser que a mesma rua não
     exista. Observa-se o mesmo nas normas da gramática, que variam conforme
     as convenções gerais de cada época. Acontece que os artistas pretendem
     escrever para as gerações futuras.

TEIXEIRA, Ivan. VEJA, São Paulo, p.148-149, 21 abr. 1999. (Texto adaptado)

De acordo com o texto, é correto afirmar que


a)a língua não oprime os artistas quando os submete à vontade do Estado.
b)os artistas revelam o caráter transitório da norma culta ao infringirem-na.
c)os escritores contrariam as regras gramaticais porque as desconhecem
d)os gramáticos impõem normas para os artistas não as transgredirem.
Resposta


20) De acordo com o texto, para Fernando Pessoa, a "língua existe para servir o indivíduo, e não para escravizá-lo...".

Todas as seguintes afirmativas sustentam esse pensamento do poeta, EXCETO


a)Essa idéia aponta para a valorização do rompimento bem-sucedido com a norma culta.
b)Essa idéia exalta a liberdade de criação do escritor em sua aventura intelectual.
c)Essa idéia gera um impasse entre os gramáticos, de um lado, e os artistas, de outro.
d)Essa idéia promove a norma culta como essência da transgressão gramatical.
Resposta


21) Em todas as alternativas, o emprego do termo, ou expressão, destacado está corretamente explicado pela frase entre parênteses, EXCETO em


a)... assim como uma pessoa jamais deveria aceitar a imposição de uma religião que seu espírito recusasse. [linha 6-7] (Introduz uma comparação).
b)Ela pode dar impressão de firmeza, [...] de ironia ou sugerir diversas coisas ao mesmo tempo. [linha 13-15] (Refere-se à transgressão de função estrutural).
c)Para eles, dominar a norma culta do idioma não excede, em valor, o conhecimento do código de trânsito... [linha 18-20] (Refere-se aos gramáticos, guardiães da língua).
d)Observa-se o mesmo nas normas da gramática, que variam conforme as convenções gerais de cada época. [linha 22-23] (Remete à efemeridade do conhecimento do código de trânsito).
Resposta


22) INSTRUÇÃO: A questão 22 deve ser respondida com base na leitura do Texto 1 e do Texto 2. Volte a eles, se necessário.

"Pode um escritor, em nome de sua arte, contrariar as regras da gramática?"

Assinale a alternativa em que o ponto de vista defendido no Texto 1 serve de argumento para se responder a essa questão, levantada no Texto 2.


a)Pode, porque há cidadãos "alfabetizados" que não fazem uso das normas gramaticais.
b)Pode, porque há uma diferença entre o "erro" propriamente dito e a renovação.
c)Pode, porque os puristas fiscalizam o uso do idioma e o poeta provoca mudanças.
d)Pode, porque os que atentam contra o idioma o fazem intencionalmente ou por ignorância.
Resposta


23) Em todas alternativas, os trechos citados, retirados das obras lidas, rompem com a norma escrita culta do português do Brasil, EXCETO em


a)À noite caçava seu de-comer nas grotas. (Manoel de Barros)
b)Em tanto que se esquisitou. (Guimarães Rosa)
c)Eu fui avuando. (Carolina Maria de Jesus)
d)Faz três dias que não como. (Mário de Andrade)
Resposta


24) Vivia muita gente morando aqui e acolá. Eram os povos antigos. Existia nesse tempo uma arara encantada. Ela vivia visitando o cunhado dela, um mestre de fazer a festa do gavião, o txiri . Nesta festa, os antigos aprendiam as vozes do mestre do Dua Ibã e Siã e do homem Shata.

"Pré-História da Arara Encantada"

A partir da leitura desse trecho de Shenipabu Miyui, dos índios Kaxinawá, é CORRETO afirmar que


a)a arara, assim como todos os demais bichos, representa, nesse livro, seres humanos.
b)as doze histórias desse livro tratam da psicologia do índio em profundidade.
c)o tempo dos "povos antigos", da "arara encantada", é considerado um tempo mítico.
d)o trecho citado sugere a influência da arara sobre os demais personagens.
Resposta


25) 1 de janeiro de 1960 Levantei as 5 horas e fui carregar agua.
Todas as seguintes afirmativas referentes a Quarto de despejo, de Carolina de Jesus, estão corretas, EXCETO


a)A luta pela sobrevivência é tema central na narrativa da escritora.
b)A repetição diária dos mesmos gestos é expressão da miséria em que vive a narradora.
c)A vida da narradora se transformaria a partir do ano de 1960.
d)A voz da narradora, nesse diário, se confunde com a da escritora.
Resposta


26) Com base na leitura de O livro das ignorãças, de Manoel de Barros, é CORRETO afirmar que, nessa obra, a poesia


a)demonstra a importância das coisas pequenas para o poeta.
b)demonstra que a voz do poeta é diferente da voz de qualquer pessoa.
c)reflete o estranhamento do poeta em relação à natureza.
d)utiliza a língua portuguesa de forma convencional.
Resposta


27) As histórias de Macunaíma foram contadas pelo papagaio ao narrador, que vai continuar contando-as: "...ponteei na violinha e em toque rasgado botei a boca no mundo cantando na fala impura as frases e os casos de Macunaíma, herói de nossa gente".

Sabe-se que o livro Macunaíma foi considerado, por seu autor, uma rapsódia.

Com relação a esse fato, é CORRETO afirmar que


a)a palavra rapsódia significa narrativa acompanhada de viola.
b)as histórias populares, tradicionalmente chamadas de rapsódia, são moralizadoras.
c)o narrador "alinhava", na rapsódia, histórias da tradição oral.
d)rapsódia é o nome que se dá às narrativas orais recuperadas por escritores.
Resposta


28) Com relação aos contos "A terceira margem do rio" e "Partida do audaz navegante", de Primeiras estórias, de João Guimarães Rosa, é INCORRETO afirmar que ambos constituem narrativas que


a)focalizam uma situação de separação vivida pelas personagens.
b)se constroem a partir da focalização de uma situação familiar.
c)se constroem a partir do ponto de vista de um narrador em primeira pessoa.
d)se constroem a partir do ponto de vista infantil de um narrador-menino.
Resposta


29) Com base na leitura de Shenipabu Miyui e Quarto de despejo, é INCORRETO afirmar que ambos os livros


a)constituem expressões da cultura brasileira.
b)constituem transcrições de relatos orais colhidos por seus autores.
c)registram, na escrita, traços da linguagem cotidiana.
d)veiculam a voz de grupos tradicionalmente excluídos da literatura.
Resposta


30) Leia estes trechos:

Dizem-se, estórias. Assim mesmo, no tredo estado em que tacteia, privo, mal-existente, o que é, cabidamente, é o filho tal-pai-tal; o "cão", também, na prática verdade.

GUIMARÃES ROSA, João. A benfazeja. Primeiras estórias, 45. ed., p. 116.
O pecurrucho tinha cabeça chata e Macunaíma inda a achatava mais batendo nela todos os dias e falando pro guri:

- Meu filho, cresce depressa pra você ir pra São Paulo ganhar muito dinheiro.

ANDRADE, Mário de. Macunaíma, 31. ed., p. 28.

Com base nessa leitura, é INCORRETO afirmar que os dois trechos


a)assinalam a semelhança indiscutível entre pai e filho.
b)reescrevem, à sua maneira, ditados e expressões populares.
c)referem-se a situações que envolvem pai e filho.
d)utilizam a linguagem coloquial do povo brasileiro.
Resposta