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LÍNGUA PORTUGUESA - ITA (2001)

26) Os versos abaixo são da letra da música Cobra, de Rita Lee e Roberto de Carvalho:

Não me cobre ser existente Cobra de mim que sou serpente

Com relação ao emprego do imperativo nos versos, podemos afirmar que


a)a oposição imperativo negativo e imperativo afirmativo justifica a mudança do verbo cobre/cobra.
b)a diferença de formas (cobre/cobra) não é registrada nas gramáticas normativas, portanto há inadequação na flexão do segundo verbo (cobra).
c)a diferença de formas (cobre/cobra) deve-se ao deslocamento da 3ª para a 2ª pessoa do sujeito verbal.
d)o sujeito verbal (3ª pessoa) mantém-se o mesmo, portanto o emprego está adequado.
e)o primeiro verbo no imperativo negativo opõe-se ao segundo verbo que se encontra no presente do indicativo.
Resposta


27) No texto abaixo sobre as eleições em São Paulo, há ambigüidade no último período, o que pode dificultar o entendimento.

Ao chegar à Liberdade*, a candidata participou de uma cerimônia xintoísta (religião japonesa anterior ao budismo).
Depois, fez um pedido: “Quero paz e amor para todos”.
Ganhou um presente de um ramo de bambu.

(Folha de S. Paulo, 9/7/2000, adaptado.)
(*) Bairro da cidade de São Paulo.

A ambigüidade deve-se


a)à inadequação na ordem das palavras.
b)à ausência do sujeito verbal.
c)ao emprego inadequado dos substantivos.
d)ao emprego das palavras na ordem indireta.
e)ao emprego inadequado de elementos coesivos.
Resposta


28) Assinale a opção que melhor traduz o trecho em destaque do texto abaixo:

O novo livro de Ubaldo pode ser visto como um belo exercício de retórica. Utiliza- se de Itaparica, da radioatividade natural e da história da ilha baiana para defender uma tese: a de que homens e mulheres podem ser igualmente grandes em suas realizações e virtudes, mas não podem escapar de seus pecadilhos e prevaricações, se se querem grandes. (Sereza, H. C. Caderno 2/ Cultura. O Estado de S. Paulo, 16/7/2000.)


a)Os pequenos erros são inevitáveis e essenciais para a grandeza de homens e mulheres.
b)Os pequenos erros são importantes, mas não essenciais, para a grandeza de homens e mulheres.
c)Ainda que os pequenos erros sejam inevitáveis, não contribuem para a grandeza de homens e mulheres.
d)Não são os pequenos erros que tornam homens e mulheres grandes em suas realizações e virtudes.
e)Os pequenos erros são inevitáveis para a grandeza de homens e mulheres.
Resposta


29) As questões de 29 a 32 referem-se ao seguinte texto: Certos mitos são repetidos tantas e tantas vezes que muitos acabam se convencendo de que eles são de fato verdadeiros. Um desses casos é o que envolve a palavra “saudade”, que seria uma exclusividade mundial da língua portuguesa. Trata-se de uma grande e pretensiosa balela.
Todas as línguas do mundo exprimem com maior ou menor grau de complexidade todos os sentimentos humanos. E seria uma grande pretensão acreditar que o sentimento que batizamos de “saudade” seja exclusivo dos povos lusófonos.
Embora línguas que nos são mais familiares como o inglês e o francês tenham de recorrer a mais de uma expressão (seus equivalentes de “nostalgia” e “falta”) para exprimir o que chamamos de saudade em todas as circunstâncias, existem outros idiomas que o fazem de forma até mais sintética que o português.
Em uma de suas colunas semanais nesta Folha, o professor Josué Machado lembrou pelo menos dez equivalentes da palavra “saudade”. Os russos têm “tosca”; alemães, “Sehnsucht”; árabes, “shauck” e também “hanim”; armênios, “garod”; sérvios e croatas, “jal”; letões, “ilgas”; japoneses, “natsukashi”; macedônios, “nedôstatok”; e húngaros, “sóvárgás”.
Pode-se ainda acrescentar a essa lista o “desiderium” latino, o “póthos” dos antigos gregos e sabe-se lá quantas mais expressões equivalentes nas cerca de 6 mil línguas atualmente faladas no planeta ou nas 10 mil que já existiram.
Ora, se até os cães demonstram sentir saudades de seus donos quando ficam separados por um motivo qualquer, seria de um etnocentrismo digno de fazer inveja à Alemanha nazista acreditar que esse sentimento é próprio apenas aos que falam português.
Desde que o homem é homem, ou talvez mesmo antes, ele sente saudade; desde que aprendeu a falar aprendeu também, de uma forma ou de outra, a dizê-lo. (Saudade.
Folha de S. Paulo, 6/4/1996, adaptado.) NÃO se pode afirmar que a noção do sentimento saudade no texto seja


a)atribuída exclusivamente ao ser humano.
b)uma prova de que a espécie humana é fruto da mutabilidade de espécies.
c)comum a todos os seres humanos, mas a maneira de expressá-lo é diferente.
d)comum a todos os seres humanos e remonta aos tempos antigos.
e)talvez anterior à razão.
Resposta


30) No texto, a tese é que


a)todos os povos têm os mesmos sentimentos e têm palavras para designá-los.
b)os cães, assim como os seres humanos, sentem saudade.
c)trata-se de um mito a crença de que apenas os povos lusófonos têm uma palavra para designar o sentimento “saudade”.
d)há línguas que são mais sintéticas que outras para exprimir os sentimentos.
e)há línguas que são mais sintéticas que o português para expressar o sentimento que os povos lusófonos designam “saudade”.
Resposta


31) NÃO se pode dizer que no texto haja


a)uma declaração inicial que sintetiza a tese a ser defendida.
b)a exclusividade da forma impessoal, que é marcada apenas pelo emprego de orações na voz passiva.
c)uma equiparação do sentimento saudade dos cães ao dos seres humanos.
d)a generalização de uma idéia após a apresentação de exemplos.
e)exemplos de vocábulos de outras línguas para designar o sentimento “saudade”, que funcionam como argumentos para a tese defendida.
Resposta


32) No trecho “existem outros idiomas que o fazem de forma até mais sintética que o português” (3º parágrafo), o termo “o”, em destaque, substitui


a)uma oração indicativa de finalidade.
b)uma oração indicativa de causa.
c)uma oração indicativa de conseqüência.
d)a oração antecedente.
e)o sujeito da oração antecedente.
Resposta


33) Podemos afirmar que na obra D. Casmurro, Machado de Assis


a)defende a tese de que o meio determina o homem porque descreve a personagem Capitu desde o início como uma futura adúltera.
b)defende a tese determinista porque o meio em que Bentinho e Capitu vivem determina a futura tragédia.
c)não defende a tese determinista, apontando antagonismo entre o meio e a tragédia final.
d)defende a tese determinista ao demonstrar a influência da educação religiosa na formação de Capitu.
e)não defende a tese determinista de modo explícito porque não fica clara a relação entre o meio e o fim trágico dos personagens.
Resposta


34) Leia o texto abaixo e as afirmações que se seguem

Que falta nesta cidade? Verdade.
Que mais por sua desonra? Honra.
Falta mais que se lhe ponha? Vergonha.
O demo a viver se exponha,
Por mais que a fama a exalta,
Numa cidade onde falta
Verdade, honra, vergonha.
Matos, G. de. Os melhores poemas de
Gregório de Matos Guerra. Rio de Janeiro: Record, 1990.

O poema

I – mantém uma estrutura formal e rítmica regular.
II – enfatiza as idéias opostas.
III – emprega a ordem direta.
IV – refere-se à cidade de São Paulo.
V – emprega a gradação.

Então, pode-se dizer que são verdadeiras


a)apenas I, II, IV.
b)apenas I, II, V.
c)apenas I, III, V.
d)apenas I, IV, V.
e)todas.
Resposta